Equipes Autogerenciadas: Conceito

No modelo tradicional de gestão empresarial, os chefes são os responsáveis pelas principais tomadas de decisão e pela supervisão das atividades realizadas pela sua equipe. Este modelo é predominantemente hierárquico e é a forma como a maioria das empresas vem se organizando desde a Revolução Industrial.

Nas equipes autogerenciadas, ocorre uma quebra de paradigma. O suposto líder, responsável por coordenar e supervisionar todo o processo desaparece, e é substituído por uma equipe que se autogerencia.

Neste modelo de gestão, todos os integrantes do grupo de trabalho dividem entre si a responsabilidade pelo alcance de um objetivo. São capacitados e possuem autoridade e senso crítico para supervisionar a si próprios.

Cada integrante deve possuir capacidade técnica, autocontrole e comprometimento com os objetivos estabelecidos. As habilidades dos membros devem se complementar e a inteligência emocional deve ser desenvolvida para que possíveis conflitos diários possam ser evitados.

Os funcionários de uma equipe autogerenciada confiam uns nos outros,  prevalecendo sempre a solidariedade. Costumam trocar constantemente as experiências, informações e conhecimentos um com os outros. São indivíduos multifuncionais e precisam de autonomia para desempenhar seu trabalho de forma eficiente.

Quando nos referimos ao conceito de autogestão, é bem comum abordarmos também o termo Empowerment, palavra derivada da língua inglesa que se refere a descentralização de poderes. Esta prática de gestão proporciona maior autonomia aos empregados, tornando a gestão empresarial mais participativa e autogerenciável.

O modelo de gestão autogerenciada não é um assunto atual. Seus estudos começaram na década de 1950, porém ainda não é um assunto muito abordado no mundo acadêmico e organizacional. Continua prevalecendo a estrutura tradicional, onde o poder e autoridade é concentrado nas mãos de poucos.

Equipes Autogerenciadas: Benefícios

Quando devidamente constituídas, estas equipes ganham alta performance e seus resultados são superiores ao modelo tradicional. Entre os benefícios deste modelo, podemos citar:

  1. Fortalecimento da competência de análise e tomada de decisão
  2. Maior engajamento de todos os funcionários
  3. Melhor performance de cada membro da equipe
  4. Dinamicidade e rapidez na entrega dos resultados
  5. Distribuição igualitária de responsabilidades
  6. Os colaboradores conseguem mostrar mais facilmente seus talentos
  7. Os funcionários se sentem parte do processo e não apenas uma peça da engrenagem, motivando toda a equipe
  8. O empoderamento dos funcionários proporciona uma melhor qualidade de vida no trabalho

As pessoas são o componente essencial para a vitalidade dos processos e permite que a organização se posicione de maneira competitiva e diferenciada perante a concorrência. Porque não implantar um modelo que atribua mais autonomia e empoderamento aos colaboradores? Equipes multifuncionais e autogerenciadas produzem resultados melhores e mais ágeis.

Dicas de como construir uma equipe autogerenciada

Equipes autogerenciadas é um modelo desafiador, que une pessoas com diferentes culturas e personalidades.

Para construir equipes autogerenciadas, a empresa deve possuir colaboradores capazes, competentes, comprometidos e que gostem de exercitar sua liderança. Os membros devem possuir perfis de inovação e precisam valorizar o trabalho coletivo.

Abaixo dicas essenciais de como construir uma equipe autogerenciada:

  1. Designação da liderança aos membros da equipe: Neste modelo, a coordenação e o controle das atividades  é designada a todos os integrantes. Os mesmos devem ser estimulados a resolver eventuais problemas e a sugerir novas ideias
  2. Seleção de novos membros: O cuidado da empresa deve começar no momento de selecionar novos membros da equipe, que deve ser muito bem constituída para elevar a soma de esforços individuais. Para fazer acontecer, é preciso formar um grupo sinergético e bem relacionado.
  3. Aperfeiçoamento dos funcionários: A empresa deve proporcionar ações de desenvolvimento aos seus colaboradores, como cursos de coaching e treinamentos que estimulem a liderança e comprometimento individual. Todos os integrantes da equipe devem aprender a lidar com determinadas emoções, como ansiedade, medo do desconhecido e resistência à mudança.
  4. Esclarecer pontos chaves para a equipe: Todos devem estar ciente de todos  os itens relacionados ao trabalho, como o campo de atuação da equipe, os prazos de entrega, os recursos disponíveis e as medidas de mensurações. Os membros devem estar a par de todas as etapas exigidas e não somente de sua função como ocorre no modelo tradicional.
  5. Paciência: Para formar uma equipe autogerenciada, a empresa precisa ter paciência e respeitar o ciclo natural de cada grupo. Existe um tempo de aprendizado e adaptação necessária para que a equipe possa internalizar a nova cultura e atue com eficiência.

Desafios na implantação de equipes autogerenciadas

No momento de construir equipes autogerenciadas, a empresa deve agir com muito zelo, pois este modelo só será eficiente se todos os colaboradores cooperarem entre si e estiverem engajados na proposta da organização. A implementação deste modelo de gestão deve estar condizente com as necessidades e cultura empresarial. 

É muito comum a organização encontrar dificuldades no momento de construir um sistema de autogestão. Quando os colaboradores não estão devidamente preparados, pode acontecer dos membros da equipe realizarem uma disputa não sadia entre eles, dos antigos chefes não saberem lidar com a perda do poder e a resistência dos alguns funcionários ao novo sistema, principalmente os mais antigos.

Qualquer mudança gera um desconforto no ser humano. Para muitos colaboradores, não é fácil de uma hora para outra não ter mais um chefe ditando todas as regras e traçando o caminho a ser seguido. Essa falta de autoafirmação e segurança de muitos funcionários é uma barreira para os mesmos exercerem a autonomia e poder proposto no modelo de equipes autogerenciadas.

Outro desafio grande neste modelo de gestão, talvez o maior, é a equipe trabalhar em harmonia, sem conflitos e desentendimentos. Todos os integrantes precisam ter os mesmos propósitos para trabalharem em sinergia e alcançarem os objetivos estabelecidos. Devem desenvolver a maturidade profissional e a inteligência emocional.

Para finalizar, podemos concluir que o modelo de autogerenciamento estimula no colaborador o auto-conhecimento, fazendo com que o  mesmo aprimore novas capacidades e habilidades até então não exigidas. A autogestão encoraja todos os membros a participarem ativamente da construção dos resultados e da criação das estratégias, contribuindo positivamente para a empresa. Torna a organização mais eficiente, produtiva e detentora de um quadro de colaboradores mais motivado e participativo. 

O que você achou do modelo de equipes autogerenciadas? Acredita mesmo que este é o modelo de gestão do futuro? Contribua com o nosso artigo e deixe seu comentário abaixo.