Como Montar Uma Confecção

Como montar uma confecção
Como montar uma confecção

Mesmo com os altos e baixos do ramo da moda, montar uma confecção é um dos desejos de muitas pessoas que querem entrar no ramo do empreendedorismo. Isso porque aparentemente o segmento é fácil de ser criado e administrado, porém envolvendo muitas mais complicações e aspectos que exigem atenção do que somente o ato de costurar em si, o que pode levar este pensamento às muitas profissionais da área que já atuam com pequenos consertos e ajustes, obtendo como um sonho a abertura de seu próprio negócio no mundo da moda. Saiba que é preciso muita dedicação e informação para montar uma confecção e não ficar vulnerável aos altos e baixos do mercado.

O que é uma confecção?

Para quem não sabe uma confecção é uma fábrica de roupas, que pode ser de larga ou curta escala. Contratando costureiras ou trabalhando sozinho, o proprietário é responsável por criar, fabricar e vender roupas que devem ser expostas em seu próprio comércio, caso possua um estabelecimento físico para tal, assim como também pode ser exposta em lojas pertencentes aos seus amigos, colegas ou contatos estritamente profissionais. Ou seja, neste ramo de atuação você será o fornecedor do produto e responsável por abastecer outras lojas, mesmo que, hoje em dia, várias confecções já possuam a própria loja diretamente ligada à marca de produção, expandindo os negócios.

Existem duas formas de trabalhar com uma confecção: por encomenda e com criação própria. Por encomenda seria preciso aguardar que clientes solicitem pedidos, fornecendo o modelo e solicitando o pedido para que seja entregue no prazo estipulado. Neste modelo de confecção os clientes são empresas, lojas, estilistas, entre outros relacionados. Na segunda opção a marca irá criar suas peças e vender para as lojas e boutiques, o que é o mais indicado, mais lucrativo e que atrai tantas pessoas para embarcar na montagem deste empreendimento, que se assemelha a uma grife de roupas.

Com esta segunda opção para montar uma confecção, ou seja, ao optar por criação própria, é necessário pesquisar tendências da moda anteriormente, assim será possível visualizar qual, aproximadamente, serão as peças que farão sucesso no mercado, afinal clientes e consumidores sempre buscam por inovações e, em determinadas épocas, apostam nas “peças em alta” da estação. Com o processo de pesquisa, será possível aproveitar todas as criações para que estas sejam efetivamente vendidas.

Para este artigo vamos supor que você pretende montar uma confecção para atuar no segundo modelo, que é o mais indicado, o mais procurado e as informações escritas aqui podem ser adaptadas.

Investimento inicial de montar uma confecção

Dependendo do porte da empresa a qual deseja montar, o investimento não é nada baixo. Se for uma confecção de pequeno porte, em casa mesmo, o gasto é pequeno, pois irá envolver apenas mão de obra, que pode ser do próprio dono ou dona da empresa, uma máquina de costura, tecido e acessórios como linhas, botões e fechos para criar as peças. Este modelo não é muito recomendado porque a produção é lenta e perdem-se grandes oportunidades de encomenda porque não é possível fabricar uma grande quantidade de peças.

Caso a escolha seja montar uma confecção de médio ou grande porte, o investimento inicial pode chegar a cerca de R$ 200 mil. Isso porque é preciso investir em máquinas de costura de nível industrial, que duram mais e são mais adequadas para longas horas de trabalho. É preciso ainda investir em mesas para corte de tecido, peças de tecido em grande quantidade e variadas, agulha, linha, botões e outros pequenos acessórios usados no dia a dia e na mão de obra.

Montar uma confecção de médio ou grande porte exige a contratação de um design de roupas para criar as peças, costureiras habilitadas para confeccionar as roupas desenhadas, vendedores para oferecer os produtos, um gerente de produção para controlar a quantidade realizada e um gerente administrativo para tomar conta do empreendimento legalmente, que geralmente é o cargo ocupado pelo dono do negócio e investidor inicial. Caso o responsável esteja criando a confecção própria com um sócio, ambos costumam cuidar da parte administrativa.

Legalidade de montar uma confecção

Este tipo de empreendimento nada mais é que uma loja de roupas, apenas atuando com vendas diretamente para as lojas. O processo legal envolve apenas abertura de firma, obtenção de CNPJ, cadastro na Prefeitura e assim poder ter nota fiscal, algo essencial para as lojas que irão comprar e revender as peças criadas, assim como para que, em caso de loja própria, seja possível comercializar os itens de vestuário dentro das normas e padrões, porém, neste caso, é necessário seguir mais outros passos que seguem logo abaixo.

Caso queira ter uma marca, criar uma confecção própria, ou seja, uma grife, o ideal é que seja criada uma marca e esta também seja registrada. Isso é importante para que outras pessoas não usem a sua marca e assim possa criar uma identidade. Caso não ache necessário, basta pensar em marcas como Prada, Via Uno, Dior, Randara, todas são conhecidas e não abrem mão de ter a sua etiqueta na roupa. É uma forma de pensar no futuro também, se sua confecção virar um


grande empreendimento de sucesso.

Mercado para montar uma confecção

Nenhuma fabricante de roupas começou por cima, a menos que já venha com um nome famoso por outros motivos como artistas que lançam marcas de roupas. Então é preciso começar devagar. O primeiro passo é investir sem ter retorno direto, por isso um capital inicial tão alto. Você está criando uma marca do nada e por isso gaste sem pensar em ter retorno imediato, afinal será necessário primeiramente comprar tudo o que é essencial para a montagem de seu negócio para que a fabricação possa iniciar, ser repassada para os clientes e somente depois você poderá, realmente, verificar os resultados em questão de lucro, o que também pode demorar até suprir os gastos com as despesas geradas ao longo deste processo.

Para a primeira leva de roupas a ser confeccionadas a dica é escolher apenas um segmento da moda e não tentar embarcar em todos. Defina se quer roupas para crianças, adolescentes ou adultos. Depois se para homem, mulher ou ambos os sexos. Em seguida se blusas, calças, vestidos ou tudo junto. Para definir os tipos de peças a serem confeccionadas é preciso uma boa análise do perfil do cliente.

A informação a seguir é desanimadora: a concorrência é forte em seja qual for o segmento escolhido. São milhares as confecções existentes no Brasil, então procure brechas no mercado que ainda não foram tão exploradas, principalmente em sua cidade. Duas dicas podem ser úteis neste setor: roupas tamanhos maiores e roupas para grávidas. São segmentos da moda que ainda são relativamente fracos e podem render bons lucros no começo, caso queira optar por ir pelo menos óbvio. Diferenciar as peças criadas quando às estampas ou até mesmo resgatar tendências de outros países que não são apresentadas, ainda, para o Brasil pode lhe colocar um passo à frente, sem a necessidade de apostar em um segmento fora do comum, porém podendo ingressar, por exemplo, no campo de moda feminina, porém com padrões diferenciados dos existentes ou que ainda não foram apresentados como tendências, porém que, em breve, estará em alta para o momento, verificando sempre informações e estudando sobre o mercado para perceber estas brechas.

A boa noticia, porém, é que moda vende bem sempre porque são usadas constantemente e sempre é bom chegar produtos novos no armário. As mulheres são as maiores consumidoras, então vale o investimento principalmente se as clientes encontrarem uma roupa que caia bem, assim a mesma não vai hesitar em comprar.

Para colocar a confecção no mercado, não existe magia: é ir de porta em porta mesmo. Monte uma coleção, fotografe o faça um simples catálogo e oferece em lojas de roupas próximas a sua cidade ou mesmo pela Internet. Os clientes fixos e lojas que querem ter um estoque de seus produtos só vão surgir com o tempo.

Outra dica para a divulgação que é muito utilizada atualmente é a utilização da tecnologia, investindo nas redes sociais e até mesmo criando fanpages para sua confecção própria, podendo disseminar fotos e modelos existentes para todos os internautas. De acordo com seu capital, é possível até mesmo fazer anúncios nestas redes sociais, sendo que os mesmos serão exibidos às pessoas que já realizaram pesquisas no segmento em questão, procurando por roupas, peças de roupas ou algo que seja relacionado ao tema, indicando o negócio ao possível público-alvo.

Modelos de roupas para fabricar em uma confecção

Esta é a parte mais importante: fabricar algo que seja vendável. Por isso o dono de uma confecção deve sempre estar em sintonia com seu design de criação, para que sejam desenhadas peças que possam ser vendidas facilmente e não seja um desperdício de material. A dica é ser informado no setor de moda, seja por revistas, jornais ou televisão.

A forma mais barata de se informar sobre o que está na moda em roupas são revistas femininas, que informam tanto modelos para homens como para mulher, bem como cores e estilos nas lojas. Opte pelas revistas mais caras e mais modernas, as que vendem mais, edições mensais. Dicas de revistas: Vogue, Elle, Marie Claire, Cláudia e guias semestrais de tendências da estação.

É preciso também está ligado na mudança de estação do ano, quando surgem modelos específicos para aquele momento didático. Uma dica é acompanhar as semanas de moda do Rio e São Paulo, que mostram as tendências para as próximas estações ao menos três meses antes do clima mudar, o que lhe dá tempo de investir em compra de material, desenhar e produzir modelos.

A modelagem também faz parte deste processo, escolhendo uma profissional competente para que a mesma possa realizar peças que se encaixem perfeitamente no corpo do público-alvo estipulado, além de permitir que a mesma inove com recortes, detalhes e outros incrementos que podem diferenciar sua própria confecção das demais.

Algumas confecções apostam em realizar peças temáticas ou que permitam passar a proposta estipulada em uma coleção, normalmente com modelos totalmente fora do padrão e sendo reservados para as passarelas. Caso sua grife ainda não tenha atingido estes patamares, é indicado fugir de formatos muito exorbitantes, assim como é possível ver em desfiles diversos estilistas que realizam somente roupas conceituais, com formas geométricas, volumes estrondosos, etc., devendo barrar-se em primeiramente deixar sua marca famosa.